terça-feira, 16 de março de 2010

Tira-te

Prefiro gente suja,
Encardida,
Lamacenta,
Que rasteja como quem anda
Pela merda
Com o cheiro
Que se entranha à pele.
Gente honesta
E com pressa,
De mostrar quanto não presta
Cada homem,
E disfarce
Que todos estão a vestir!
Despe,
Tira-te de ti,
Vai em frente,
Calca merda,
Mas tirar-te de ti!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

2 anos - Noite

Gente invisível avança imponente,
Constroem, à sua passagem, o Império das Trevas.
Retardados,
Mutilados,
Cegos,
A barca dos diferentes
Avança nas águas soturnas do rio noite.
Nela vão também os bêbados,
Os esquecidos,
Rejeitados e
Desistentes,
Válidos e inválidos em união...
A barca avança escondida na penumbra,
Não há mais luz que o brilho de cada olhar,
O brilho de cada obstinação,
De cada angústia dilacerante.
São estes olhos, as estrelas da noite, e seu sofrer, a lua!
São estes os sobreviventes da humanidade,
São estes os últimos seres sensíveis...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Segunda Pessoal (singular)

Enrolaste na luz
És um raio
Que progride e reluz.

Encontras no escuro o ninho,
És um mago,
Que assusta e seduz.

Veste-te ao contrário,
És a carne
Do osso que já fora pele

E de um corpo ao outro,
És o mesmo,
Ficou só o cheiro a mel.

Arrancas por outro lado
Fazes a curva
Entre ti e o teu passado.

Arrepiaste no espelho
És agora o medo,
Que te move parado.

Esganaste de frente,
És diferente,
Aproveita para seres tu.

Olha que de um homem ao outro,
Continuas o mesmo,
Só que desta,
Vens nu!